terça-feira, 27 de março de 2012

Rafinha Bastos, Proibidão, Stand Up e o Limite do Humor

Raramente dou início a um post expondo a minha opinião, mas peço licença para confessar que não aguento mais esse debate sobre o limite do humor. Hoje (26), mais uma vez ouvi essa história que parece não ter fim, dessa vez foi no programa Transalouca 4.0 da rádio Transamérica FM, o pessoal do Proibidão Stand Up veio a público para falar sobre o assunto, na semana passada, esses mesmos humoristas estiveram no programa Pânico da rádio Jovem Pan FM, também discutindo o que é certo ou errado no humor. Para quem não recorda, o Proibidão Stand Up foi responsável pela mais recente polêmica humorística, um músico que tocava na banda que fazia as vinhetas do show se sentiu ofendido com uma piada que ele considerou racista e chamou a polícia. No show, os humoristas fazem piadas consideradas “impróprias”, tanto que antes de entrar para assistir o público assina um termo que atesta que o espectador não se sentirá ofendido pelas piadas. Na entrevista de hoje, uns dos humoristas, que infelizmente não recordo o nome, insinuou que o músico fez todo esse barulho para se promover já que como músico, ele não tinha conseguido nada na carreira. É isso que ele chama de humor? Será que ele não leva em conta que o músico em questão tinha chegado atrasado, não tinha assinado o termo e não sabia o que lhe esperava? Outra coisa, o Proibidão também não acabou se promovendo com toda a confusão gerada? 

Rafinha Bastos chora em entrevista feita à Marília Gabriela
(foto: reprodução)
Desde que Rafinha Bastos fez a polêmica piada com a cantora Wanessa Camargo e o seu bebê, me parece que alguns humoristas resolveram testar os limites do humor. Primeiro o próprio Rafinha Bastos que não admite em nenhum momento pedir desculpas pela piada de mau gosto – sinceramente, não vi nada demais na piada a ponto de Wanessa Camargo mover uma ação judicial contra o cara – ao contrário, ele passou a assumir uma postura arrogante do tipo sou comediante, tenho uma olhar diferente das coisas e por isso sou o dono da razão. No último domingo (25), ele esteve no programa De Frente com Gabi e durante toda a entrevista ele continuou com a mesma postura de “senhor da razão” e de está “cagando e andando” para opinião dos outros, foi necessário Marília Gabriela sacar toda a sua habilidade em entrevistar para conseguir fazer com que o humorista descesse do seu altar de dois metros de altura para mostrar-se humano, aquele ser que sofre, chora e se ofende.  A meu ver, tanto o humorista do Proibidão quanto Rafinha Bastos e tantos outros sofrem da síndrome do Joselito, não sabem brincar porque não sabem a hora de parar, é aquele tipo de pessoa não se importa em ofender alguém para arrancar risos de alguns, mas principalmente, dele próprio porque ele considera que aquilo é engraçado. Há algum tempo, os humoristas, principalmente os que seguem a linha stand up, veem achado que tudo tem graça, mesmo o escracho, e que ninguém deve se incomodar, afinal de contas é apenas uma piada. Rafinha disse uma frase muito interessante na entrevista “eu faço para ser engraçado, às vezes é engraçado, às vezes não é engraçado”. É bem por aí. Quantas vezes nós, meros mortais, não fizemos uma gracinha, que não teve graça, com algum amigo e pedimos desculpas depois, um simples “foi mal” evita tanta coisa, é uma das palavrinhas mágicas assim como “por favor” e “obrigado”. Se tantos profissionais (jornalistas, médicos, políticos, jogadores de futebol e outros) já vieram a público pedir desculpas por algo de errado que foi feito, não entendo o porquê dos comediantes de stand up se sentirem tão ofendidos em fazer isso, uma vez que pisaram na bola. 
Ainda bem que existe a liberdade, ou seja, o comediante tem o direito de falar sobre o que ele quiser e eu tenho o direito de reclamar se eu não gostar. Termino dizendo que não há motivos para a toda semana estar se realizando esse debate, não existe limite para o humor, talvez exista o limite do bom senso, que também não é igual para todos, somos pessoas diferentes, o meu limite pode não ser o seu e vice-versa. E como bem disse Jô Soares uma vez: “o limite do humor é o riso”.

1 comentários:

"Foi mal"... Muito bem colocado. Faltou você adicionar que o humorista no dia mesmo pediu desculpas ao musico que as aceitou, pelo menos naquele momento, e ainda postou em sua pagina pessoal o mesmo pedido de desculpas, que neste caso não surtiu efeito algum.

Grande abraço,

Edson

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