Passei boa parte do dia 02 de fevereiro pensando se deveria, ou não, escrever sobre os 15 anos da morte de Chico Science, uma das coisas que passou pela minha mente foi se eu teria material suficiente, para falar sobre um cara como ele, com propriedade. Deixei de lado toda a formalidade e então, resolvi relatar um pouco do que Chico representou para mim.
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| Foto: AE |
Chico Science, é um dos poucos artistas que, ainda em vida, teve reconhecimento pela contribuição que deu para a música brasileira, junto com a Nação Zumbi lançou os discos "Da Lama ao Caos" (1994) e "Afrociberdelia" (1996) que projetou a banda nacionalmente. Além disso, foi um dos responsáveis pela difusão do movimento manguebeat no mundo.
Em 1996, eu era apenas um moleque (ou um pirraia, como se diz em Pernambuco) de apenas 15 anos, recém chegado a Recife, me adaptando a uma nova cidade, novo sotaque, novos costumes, que não me diziam nada. Foi então, que eu tive o primeiro contato com o som da banda Chico Science & Nação Zumbi, ela trazia elementos do maracatu, ciranda e coco, algo novo para mim até então. Havia uma mistura de ritmos e poesia que me impressionaram, a junção do peso da guitarra de Lúcio Maia, com a força do som emitido pelas alfaias dava um poder impressionante a música que soava como rock, mas não era rock, era manguebeat. Posso dizer que esse foi o meu primeiro contato com os verdadeiros elementos da cultura pernambucana, tenho certeza que como aconteceu comigo, aconteceu com muitas pessoas, após Chico Science, passei a me interessar, conhecer e aprender a valorizar a cultura do meu Estado.
Sabe o que eu mais gostava em Chico Science? É que ele tinha jeito de gente. É isso mesmo, jeito de gente comum, como você e eu, bem diferente de outros artistas que eu admirava na época, que mais pareciam deuses vagando sobre a terra, inalcançáveis. Ele era aquele tipo de cara que você não estranharia se o encontrasse tomando vinho no Alto da Sé, em Olinda, ou voltando a pé, de madrugada, do Recife Antigo para pegar o ônibus “bacurau” no Cais de Santa Rita. Ele era um cara comum que fazia sucesso. Mas infelizmente, em 02 de fevereiro de 1997, Francisco de Assis França, o Chico Science, faleceu após ser fechado por outro carro e perder o controle do veiculo que conduzia, um automóvel Fiat uno, e bater de frente com o poste na descida do viaduto, próximo ao Memorial Arcoverde, divisa entre as cidades irmãs, Recife e Olinda. Lembro do dia da morte de Chico como se fosse hoje, eu estava no meu quarto, assistindo TV, quando o Plantão da Globo entrou anunciando a morte dele, cara, foi um choque pra mim. Estavam anunciando a morte de um cara que eu admirava muito, que eu não o conhecia pessoalmente, mas mesmo assim a sensação foi horrível, era mesma sensação de perder alguém muito próximo. Ele ainda morava em Rio Doce, bairro do subúrbio de Olinda, praticamente meu vizinho, foi isso que pensei na hora.
Chico Science deixou um legado, criou um movimento que virou música, moda, teatro, cinema e literatura. Numa época que o Recife estava afundando na lama ele assumiu a condição de caranguejo, mas a de um caranguejo pensante que tem opinião própria. Acredito que depois dele, o recifense passou a valorizar mais a si próprio e as coisas de sua terra.
No manifesto escrito por ele e Fred Zero4 (clique aqui para ler o manifesto na íntegra) tem um trecho que diz: “Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto!” , hoje percebo que a cidade foi salva, pois recebeu o choque, o nome desse choque é Chico Science.

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