Assim como todo ano tem carnaval, todo ano tem protesto de estudantes contra aumento de passagens de ônibus. A grande diferença, que vejo, é que ó carnaval atrai a atenção de milhões de pessoas, enquanto os protestos estudantis conseguem mobilizar a atenção de no máximo, algumas centenas de gatos pingados. Exceto quando acontece algo como o foi o protesto dessa sexta-feira 20 no Recife.
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| Foto: JC Imagem |
O que se viu pelas ruas do centro da cidade foi um verdadeiro cenário de guerra, digno do período ditatorial. Não vivi nessa época, mas já ouvi histórias de pessoas que lutaram contra a repressão durante a ditadura militar, a cena que sempre me veio à mente, ao ouvir essas histórias, era exatamente aquilo que foi visto em frente à Faculdade de Direto, local onde os estudantes buscaram refugio da ação policial. De um lado, os estudantes exercendo o seu direito em protestar, de outro a polícia responsável por manter a lei e a ordem no estado. De um lado, uma polícia totalmente despreparada para lidar com a situação, armada com bombas de efeito moral e armas com balas de borracha, do outro um grupo formado por estudantes em busca de uma ideologia, mas com vândalos infiltrados no meio deles, provocando a policia e armados com pedras. Não esqueça que pedras também matam pessoas.
A ação realizada pelo Batalhão de Choque de Pernambuco cuspiu no direito a liberdade de expressão, pois tentou de todas as maneiras sufocar o protesto, intimando lideres de movimentos sociais e estudantis a comparecer à delegacia na mesma hora marcada para a manifestação, ação digna da época da ditadura, totalmente desnecessária e violenta. Assim também foi a ação estudantil, que com sua falta de planejamento, utilização técnicas de protesto militantes ultrapassadas, apenas aglomerando pessoas que parecem nem saber exatamente pelo que estão protestando e/ou que aparentam não ter uma opinião formada sobre o assunto, mas, que estão ali pela baderna. Vi muitos estudantes de máscaras ou cobrindo os rostos com a camisa, para um protesto pacífico é realmente necessário cobrir os rostos? Saldo dessas ações, vários jovens feridos, policiais agredidos, Comissão de Direitos Humanos da OAB fazendo média e os novos valores de passagens aprovados e homologados pela ARPE – Agência Reguladora de Pernambuco.
Não é assim que vamos nos fazer ouvir, o aumento de tarifa dos ônibus vai acontecer, como já aconteceu, vivemos num país capitalista, onde os donos das empresas vão ter milhares te argumentos para convencer o governo a autorizar o reajuste de tarifas como, por exemplo, o valor do combustível, o reajuste nos salário dos motoristas e cobradores ou até mesmo a carga tributaria. Os tempos mudaram e acredito que é necessário usar formas de protestos mais eficientes. Um dos mais interessantes que vi sobre esse assunto, até hoje, rodando nas redes sociais, é um chamado para mobilizar as pessoas a não utilizar o transporte coletivo durante o dia 30 de janeiro. O que seria muito legal. Chamaria a atenção da mídia e nem precisa de adesão de 100% da população. Um carnaval antecipado. Seria como se todos dissessem ao mesmo tempo: “Não quero, a passagem já está cara, os ônibus são insuficiente, sucateados e não compensa eu pagar mais caro por um transporte que não é bom, prefiro andar a pé”.



1 comentários:
A manifestação e o protesto começam na hora que pouco se tem a fazer, ninguém tem razão usando a força,e digo mais, te garanto que nem um terço dessa galera que tá aí, está pela causa, e sim pra posar de "revolucionário" e postar foto em rede social,pagando de "aprendiz de Che Guevara" acho um saco esse tipo de manifestação, concordo contigo em mobilizar a população de outra maneira,mas suas colocações na sua totalidade foi feliz, parabéns!
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